(Valorização: engrandecimento, elevação, relevância de algo ou alguém)
Este texto pode ser considerado uma fantasia (elabora, usa e descarta) ou um sonho
(inicia e pode se manter por muito tempo).
A base para esta situação ocorre quando visito locais das mais diversas atividades e me
deparo com trabalhadores usando vestuário condizente àquele momento, momento
este que dura grande parte do dia, como vestuário em plena condições físicas e de
higiene. Em algumas atividades o vestuário ou calçado apresenta manchas decorrentes
da atividade, mas que não trazem demérito ao trabalhador.
A partir desta situação penso em canteiros de obras onde, na maioria deles, vislumbro
trabalhadores com os mais diversos tipos de roupas e calçados (exceção para as
empresas organizadas, infelizmente minoria) amassados, com falta de higienização e
até com rasgos e botinas que já deveriam ter sido descartadas ou, por incrível que
pareça , chinelos de dedo.
Neste momento o leitor, com nenhuma ou com pouca prática de presença efetiva em
canteiros de obras, pode pensar: “que exagero”, ao qual devo contradizer e
recomendar , ao mesmo, maior atenção quando visitar uma obra ou mesmo, em seu
dia a dia, passar frente à uma construção, pois certamente constatará o aqui descrito.
Cabe lembrar que esta situação, algumas vezes de penúria na apresentação pessoal,
não vale nas empresas que possuem outro foco nas condições disponibilizadas aos
seus trabalhadores, sempre de acordo com a legislação vigente e cumprimento ao
estabelecido nas Normas Brasileiras Regulamentadoras.
Após estas considerações, vamos ao título em epígrafe, lembrando que o trabalhador
da construção civil é um artista. Sim, um artista. Só um artista consegue executar as
tarefas que ele executa, bastando prestar atenção na montagem de forma de uma laje,
a ferragem de uma grande viga (que perfeição) , a colocação de um forro de madeira ,
as instalações elétrica e hidráulica, o acabamento das fachadas como uso dos mais
diferentes materiais e toda enorme quantidade de peças que integram a montagem
(sim, montagem) de um prédio, seja ele de pequenas dimensões ou enormes
estruturas com elevada área e altura.
Agora as perguntas:
- As pessoas que não lidam com construção civil valorizam o trabalhador que ali atua?
- Os empreendedores, construtores e empregadores valorizam o trabalhador que está
sob seu comando e sua responsabilidade?
- Agora, a mais importante: o trabalhador da construção civil valoriza o seu trabalho e
atuação nos mais diversos tipos de obras?
Por sentimento, imagino que a maioria das respostas serão negativas nas três
perguntas.
Infelizmente, respostas não serão registradas para que sejam tabuladas e sirvam de
base para ações em busca da real valorização possível.
Retornando a fantasia e ao sonho citados no inicio, posso divulgar e sugerir elementos
para alterar as respostas “não” para respostas “sim”.
Iniciando pelo principal ator: O Trabalhador.
Esse deve se valorizar na forma pessoal e na forma coletiva contando com o apoio de
seus representantes engajados em ações didáticas para que todos tenham a percepção
que não devem ser conhecidos como “peão” e sim como profissionais possuidores de
características ímpares que trazem destaque ao produto final por eles construídos, ou
montados, o que faz deles verdadeiros “artistas”.
Quanto aos demais agentes, Empreendedores, Construtores e Empregadores, que
valorizam a apresentação de seu material publicitário voltado para empresa, para seus
empreendimentos, com grande destaque na mídia, por que não destacam a qualidade
profissional dos responsáveis pelo produto da propaganda?
Por que muitos custam a disponibilizar aos trabalhadores condições de segurança,
saúde e meio ambiente de trabalho condizentes às suas atividades?
Isto ocorrendo, acidentes e faltas ao trabalho tendem a desaparecer.
Muito mais poderia ser abordado, mas a proposta do texto é levar o leitor à análise, à
crítica, à validade ou não da importância do trabalhador da construção civil e, assim,
transformar a fantasia e o sonho em realidade perene.
Como sempre, o contraditório será bem-vindo.
Sergio Ussan
Eng. Civil e Eng. Segurança
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